A escola é o lugar onde se aprende muitas coisas. A principal delas deveria ser refletir sobre quem somos. Para isto, nada melhor que uma aula de gramática, não é mesmo?
Calma... não estou louco. Apenas estive pensando sobre algo que todos que passam pelos bancos escolares estudam: os sujeitos e os seus predicados!
Nascemos SUJEITOS INDETERMINADOS. O amor, a compreensão e os ensinamentos das pessoas com quem convivemos acabam por nos moldar e transformar em SUJEITOS DETERMINADOS. Há que se reforçar que essa metamorfose do sujeito pode não ocorrer se limites não forem colocados na hora certa.
A timidez e outros acontecimentos desagradáveis, ao longo da vida, nos tornam SUJEITOS OCULTOS. Nesse momento, só aqueles mais íntimos, os verdadeiros amigos, podem nos compreender e localizar enquanto sujeitos que somos. São eles, os “VERBOS DE LIGAÇÃO” do sujeito real com os seus verdadeiros predicativos.
No atual mundo de ostentação, onde o verbo TER é sinônimo de SER e o núcleo dos sujeitos (A FAMÍLIA!) está a cada dia mais fragmentado, talvez, a tarefa mais difícil seja nos transformarmos em SUJEITOS SIMPLES. Casar-se e manter-se junto a outro núcleo de sujeito tem ficado também mais difícil, logo, temos poucos SUJEITOS COMPOSTOS na sociedade atual. Porém, o que mais me preocupa enquanto sujeito comum que sou, são os chamados SUJEITOS INEXISTENTES. Produtos descartados da sociedade capitalista atual e frutos do fenômeno da injustiça social, tais sujeitos não tem conseguido garantir sua existência no mundo com dignidade e, por isso mesmo, inexistem para muitos. São milhões de seres humanos que sobrevivem abaixo da linha da pobreza... são, em outras palavras, sujeitos que se tornaram objetos.
Nas escolas, os professores precisam estar atentos para não repetirem na sala de aula a cruel divisão imposta pelo mundo do capital, no qual os sujeitos são afastados sumariamente de todos os seus predicativos porque não possuem OBJETOS DIRETOS e INDIRETOS de valores.
Portanto, a reflexão nos aponta que não há sentido em se aprender Matemática, Português, História, Geografia e outras disciplinas quaisquer, se estas não puderem contribuir para a formação de seres verdadeiramente humanos ou, como diriam os gramáticos, sujeitos simples!

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